Empreendedorismo

Cheguei a Itapeva em 1969. Na época era a "Capital dos Minérios". Lembro apenas da Praça Anchiieta, com muitos prédios históricos e que hoje está totalmente descaracterizada.

Em 1972 passei a morar definitivamente na cidade. A av. Acacio Piedade estava sendo pavimentada com lajotas e a região vivia o "boom" do reflorestemto. Todos os empresários queriam investir em projetos de reflorestamento, cujos valores podiam ser abatidos do Imposta de Renda.

A cidade já começava a se destacar por sediar entidades de ensino, saúde, energia, bancárias, etc. e aos poucos ia se tornando o polo de uma região que abrange vários municípios.

As terras valorizaram, os incentivos fiscais diminuiram e as reflorestadoras foram embora para o Estado de Mato Grosso.

Em 1982 a cidade estava estagnada e fui embora, tendo morado no litoral paulista e em Brasília/DF, sempre retornando periodicamente. Quem bebeu a água sempre volta.

De 1982 a 2005, para quem chegava de fora, a cidade sempre passava uma imagem de estagnação. No Brasil o progresso se espalhava para o interior, mas não chegava à nossa região.

As reflorestadoras que foram embora acabaram gerando no Mato Grosso do Sul um parque madeireiro cujo centro é Três Lagoas/MS, que de 2009 a 2012 recebeu investimentos de R$ 10,7 bilhões somente do setor de papel e celulose.

O ecoturismo foi outra oportunidade perdida pela nossa região. Ele foi decisivo para o desenvolvimento de várias regiões do Brasil. Brasília tem um cinturão de cidades turísticas que atraem milhares de pessoas todos os fins de semana. Os donos de pousadas de lá ficam incrédulos ao saber que os paulistas viajam 1,200 km para conhecer a Chapada dos Veadeiros e desconhecem Itapeva, que tem os mesmos atrativos e está situada a apenas 280 km da cidade de São Paulo.

Nos últimos dez anos porém, houve mudanças importantes. A estrada que liga a cidade à capital foi duplicada, tornando o acesso muito mais rápido e seguro. Itapeva tornou-se uma cidade universitária, com vários estabelecimentos governamentais e partitulares. Puxada pelo agronegócio firmou-se definitivamente como centro hospitalar, educacional comercial e logístico da região. Para o ecoturismo e as industrias chegarem é uma questão de tempo. Itapeva é "a bola da vez", como se diz comumente.

Neste cenário, o empreendedorismo torna-se absolutamente indispensável. A população cresceu e tornou-se mais exigente. As necessidades aumentaram e as oportunidades de negócio estão aparecendo. As Faculdades estão continuamente lançando novos profissionais no mercado, mas de modo geral, eles não estão preparados para ser empresários.

Neste sentido, estaremos divulgando fatos, casos e experiências focando as melhores práticas de empreendedorismo que possam ser úteis aos empresários da nossa região.