Solução para a crise do eucalipto

A sociedade evolui, os processos se aperfeiçoam e os costumes mudam. Com as mudanças, alguns ganham e outros perdem. Quem sai perdendo, ou se adapta ou desaparece.  Nada pode impedir esta sequencia.

Sem dúvida, a informatização foi a maior fonte de mudanças na história da humanidade, com mudanças radicais em todo tipo de atividade humana.

Agora chegou a vez do eucalipto.

Nas ultimas décadas a cultura do eucalipto tornou-se cada vez mais importante, concorrendo diretamente com as culturas de cereais, canaviais e laranja, inclusive nas regiões de terras mais valorizadas do país. Em alguns lugares, como no Espírito Santo, chegou-se até a cogitar proibir a formação de novas florestas de eucalipto, para impedir que o Estado se transformasse numa imensa monocultura.

Campanhas de ambientalistas contra a monocultura, observações em relação a eventuais prejuízos causados pela cultura do eucalipto e, principalmente, a diminuição do consumo causada pela evolução da Informática  mudaram completamente o cenário favorável.  Em todos os lugares existem campanhas incentivando a redução do consumo de papel.

O preço da madeira de eucalipto que era R$ 30,00/metro cúbico em 2005, passou a valer cerca de R$ 18,00/metro cúbico em 2015.

Com esse preço, o desestímulo à cultura é total e restam duas opções: erradicar o eucalipto ou adaptar-se ao mercado.

Muita gente já esta se adaptando. E a solução encontrada foi a troca de manejo florestal, dando menos importância à madeira para celulose e priorizando a produção de madeira para serraria.

Isto se traduz na utilização de desbastes intermediários, tal como se faz nas florestas de Pinus.

Com a extinção das matas naturais e o controle cada vez mais eficiente de madeiras contrabandeadas da Amazônia, a tendência é que a madeira do eucalipto venha a se tornar a mais utilizada para movelaria, construções, postes de linhas de eletricidade, etc. É uma tendência mundial, que certamente irá se repetir no Brasil, já que é madeira muito bonita e de excelente qualidade.

Pense bem antes de erradicar seu eucalipto. Em uma floresta com 7 anos de idade, ao invés de fazer um corte razo, como é costume, faça um desbaste conforme demonstra a figura acima. Neste desbaste terá como resultado um volume baixo de madeira, que será vendido para celulose ou energia, pelo preço baixo que vigora atualmente.

Em compensação, aos 15 (quinze) anos ou mais, quando seria o corte seguinte, terá um grande volume de madeira para serraria ou postes. Este material é de alto valor comercial e possivelmente irá ultrapassar com folga o que seria obtido com dois cortes pelo modo tradicional, destinado unicamente à celulose.

Isto representa uma quebra de paradigmas. Deixa-se de lado décadas de pesquisas caríssimas direcionadas à produção de madeira para celulose. É adotada uma estratégia emergencial, sem que se tenha muita certeza do que poderá acarretar.

Analisando-se porém a situação atual do mercado, tudo o que ja foi investido, e o retorno que a madeira de serraria pode fornecer, trata-se de estratégia muito válida e que está sendo escolhida por muitos produtores.