Resina de Pinus

Os primeiros plantios significativos de Pinus no Brasil foram registrados a partir de 1.955. A Lei Federal nº 5.106 de 1.966 implantou o incentivo fiscal para reflorestamento e contribuiu decisivamente para transformar o Pinus em nova fonte de riqueza para o país.

De início, o rendimento economico tinha origem na própria formação das florestas. Grandes empresas se especializaram em implantar projetos de reflorestamento, que eram vendidos a todo tipo de investidores e pagos com valores a serem abatidos do Imposto de Renda. 

A espéce mais utilizada nestes empreendimentos era o Pinus elliottii. Naquela época não se sabia exatamente o que fazer com o produto da floresta. Tinha-se a noção que a madeira seria consumida pelas fábricas de papel, serrarias e nada mais.

Na década de 70 os importadores de breu perceberam que podiam produzir aqui, ao inves de importar. A atividade cresceu rapidamente e em menos de 20 anos o Brasil passou de importador a exportador de produtos derivados da goma-resina. Hoje ocupa lugar de destaque no mercado mundial, com produção anual de 124 mil toneladas e geração de cerca de 15 mil empregos diretos e indiretos.

O perfil do resineiro mudou significativamente. A maioria dos investidores iniciais dos projetos de reflorestamento não tinham nada a ver com silvicultura. Na primeira oportunidade venderam ou erradicaram as florestas, o que diminuiu sensivelmente a area plantada. Por outro lado, os produtores rurais foram percebendo o potencial da resinagem e cada vez mais vão implantando pequenos povoamentos com recursos próprios, sem qualquer tipo de incentivo fiscal.

Outra mudança importante foi a localização das florestas, especialmente quanto ao valor da terra. Os primeiros projetos de reflorestamento foram implantados em terras planas e agricultáveis, que na época eram pouco valorizadas. A cultura de grãos avançou sobre essas regiões, as terras valorizaram e muitos projetos foram erradicados ao final do prazo contratual. Por outro lado, graças a sua extradordinária rusticidade, a cultura do Pinus elliottii se expandiu para as areas montanhosas, frias e de baixo valor comercial situadas no Sudeste Paulista, divisa com Paraná, onde encontrou seu clima ideal. 

Hoje a atividade resineira está em franca expansão. Sem qualquer tipo de ajuda governamental, formou-se um grupo de profissionais que engloba produtores de todos os tamanhos, fornecedores de insumos aos resineiros, mão-de-obra especializada na extração, transportadores, usinas de beneficiamento, fornecedores de peças e maquinas, exportadores, pesquisadores, suporte tecnico, investidores, comerciantes de goma-resina, breu, terebentina, etc. O próprio Pinus elliottii, adaptou-se perfeitamente e se reproduz naturalmente, sem a interferêcia humana.

Como toda atividade, também tem seus problemas.

Nossas florestas não foram planejadas para a produção de resina. A atividade surgiu por acaso e as pessoas foram se adaptando da melhor maneira possível. Isto inclui escolha de espécies adequadas, melhoramento genético, plantio planejado, manejo florestal e tecnicas de extração, para ficarmos apenas na área de produção da gomo-resina. A resina tinha que ser extraida e cada um fez do seu jeito. Uns com muita técnica e outros nem tanto. Esta situação perdura até hoje.

No mercado predominam dois tipos de resina: a do Pinus elliotti e a dos pinheiros tropicais. As usinas preferem claramente a goma-resina do Pinus elliottii.

Os grandes produtores, que usam a goma-resina para consumo próprio, têm técnica apurada e servem de modelo, mas os outros produtores nem sempre têm acesso a essas informações. Não há assistência tecnica governamental gratuita funcionando efetivamente.

Os produtores independentes geralmente preferem investir na formação da floresta que depois arrendam para empreiteiros de resinagem. Esta é a maior fonte de atritos. Como em toda profissão, existem os bons e os maus profissionais.  A goma-resina é vendida por quilo e cada gota perdida representa um prejuízo. O mau profissional irá instalar saquinhos com vazamentos, estrias desalinhadas, pasta-ácida inadequada, perder resina na coleta e, o que é pior, efetuar pesagens incorretas. Tudo isso somado, no final da safra, pode representar diferença considerável. Lidar com bons ou maus profissionais significa lucro ou prejuízo no final da safra.

A goma-resina é uma "commodity" e como tal seu preço oscila constantemente, sem qualquer regulamentação. Ao produtor independente é praticamente impossível vender diretamente às usinas. Por isso é importante manter parcerias comerciais firmes, que implicam em garantia de compra pelos atacadistas nas épocas de preço baixo e renúncia aos leilões pelos produtores nas épocas de preço alto. Nesta fase o bom profissional é ainda mais importante. O mau atacadista pode representar desvio de produção e até mesmo o não pagamento da venda efetuada. Nem todos têm essa conciênscia, o que transforma a comercialização da goma-resina uma verdadeira guerra.

Quando o preço da goma-resina fica muito alto o roubo passa a ser ameaça real. Duas pessoas em um carro qualquer, no decorrer de uma noite pode facilmente subtrair 200 kg de resina, que já chegou a valer R$ 800,00 (oitocentos reais). Com uma camionete  ou pequeno caminhão o prejuízo fica potencializado.

Históricamente, o grande impecilho à resinagem é a falta de mão-de-obra. Os grandes produtores europeus deixaram de produzir a goma-resina porque ninguém mais queria trabalhar na atividade, que é essencialmente braçal. Isto já é percebido em São Paulo, onde pequenos proprietários rurais, que trabalhavam como empregados em empresas florestais, passaram a formar pequenas florestas próprias de Pinus elliottii, nas quais trabalham com toda a família e ganhando muito mais. Não sabemos se seus descententes irão continuar na atividade, que continua estritamente braçal e onde um trabalhador normal anda em média cinco quilometros por dia em terreno montanhoso, faça sol ou chuva, frio ou calor.

Nada disso detém o ímpeto de crescimento da resinagem. Os investidores continuam dispostos a implantar povoamentos de Pinus e a produtividade está sempre aumentando. Todas as dificuldades terão que ser contornadas, pois o mundo precisa da goma-resina e seus derivados e os preços terão obrigatóriamente de cobrir os custos de extração.