Comércio de Resina

A extração de resina é uma atividade relativamente nova, que começou a tomar força na década de 80. Não tem qualquer mecanismo oficial de incentivo ao plantio, estoques reguladores, preço mínimo, garantia de compra, etc.

O que existe são algumas industrias de origem estrangeira que perceberam no Brasil o território ideal para expandir sua produção. Elas aqui se instalaram basicamente para suprir consumo próprio e exportar o exedente. Algumas tornaram-se grandes produtoras de gomo-resina e outras não. Mas todas compram grandes quantidades de resina dos produtores independentes.

São essas indústrias que promovem a evolução do manejo e o melhoramento genético das florestas produtoras de resina. Os conhecimentos, no entanto, não são repassados automaticamente a todos os produtores, já que não são organismos oficiais de pesquisa. O que acontece na prática é que existem florestas altamente produtivas, com todos os requintes de tecnologia assim como existem florestas formadas "na raça", sem qualquer noção técnica. Por exemplo, na região de Itapeva (SP) existe um caso em que foi implantada racionalmente uma floresta de Pinus elliottii ao lado de uma linha ferroviaria. Com o tempo, a floresta expandiu-se expontâneamente e ocupou a faixa de domínio da linha ferroviária (30 metros de largura) de forma totalmente desordenada. Hoje estas arvores "sem dono" são exploradas pela comunidade que mora ao redor e garantem o sustento para cerca de 30 (trinta) pessoas.

O consumo mundial da gomo-resina tem um aumento vegetativo, mas a produção é declinante em quase todos os paises, porque é uma atividade essencialmente braçal e a mão-de-obra é cada vez mais escassa e cara. Os maiores produtores mundiais são China e Brasil, sendo que a produção chinesa é cinco vezes maior que a brasileira e as vezes inunda o mercado mundial a preços baixos, prejudicando inclusive nosso mercado interno.

Isto tem reflexo no preço da resina. O preço medio até 2.009 variou em torno de 400,00 dólares/tonelada. Em 2.010 teve uma valorização repentina, chegando a 1.400 dólares/tonelada. Nos ultimos anos vem mantendo a média de 900,00 dólares/tonelada, considerado um bom preço e que deixa um lucro razoável ao produtor.

O comércio da resina apresenta características interessantes:

- PRODUTORES: Os maiores produtores são indústrias com plantios de Pinus para uso próprio. Porém, é cada vez maior a participação de médios produtores que encaram a atividade como investimento e pequenos produtores familiares, que vêem na resinagem a oportunidade de ter seu próprio negócio, ganhando mais do que no trabalho assalariado;

- PREÇO: varia muito, ora com altos lucros, ora com preço que não cobre o custo de produção. Por outro lado, não é um produto perecível e pode ser guardado por muito tempo a espera de preços melhores. Não esquecendo que é um produto altamente inflamável, embora os casos registrados de incendios tenham ocorrido nas industrias e não nas propriedades rurais;

- ARRENDAMENTO: é a forma de extração de resina preferida pelos produtores médios, que encaram a resinagem como uma forma de investimento. O proprietário faz uma parceria com um empreiteiro, que fornece toda a mão-de-obra necessária e normalmente o proprietário recebe 35% (trinta e cinco por cento) da venda, livre de despesas. O restante fica para o empreiteiro cobrir suas despesas e obter seu lucro.

- ROUBO: quando a resina atinge altos preços as ocorrências de roubo são frequentes. Uma pessoa sozinha é capaz de desviar o equivalente a um salário mínimo durante uma noite. Quando o preço da resina atingiu o pico de R$ 4,00/kg, na região de Itapeva foi necessário montar equipes de segurança noturna para vigiar as áreas de produção.

- TIPO DE RESINA: é comercializada gomo-resina de Pinus elliottii e dos pinus tropicais. As industrias preferem a resina proveniente do Pinus elliottii, que alcança preços mais elevados.

- MODERNIZAÇÃO DO TRANSPORTE: está em curso uma transformação importante. O transporte da gomo-resina das fazendas para as industrias é feito em tambores metálicos de 200 kg. Isto obriga as idustrias a contratar muita mão-de-obra para carregar, descarregar e controlar uma quantidade imensa de tambores, que se desgastam rapidamente. Além disso uma partida de tambores com resina de baixa qualidade pode contaminar um depósito inteiro. As industrias estão começando a exigir qua a resina seja entregue em caminhões-tanque e já previamente beneficiada. Isto leva os produtores a implantar centros de beneficiamento regionais, o que é impossível para a maioria dos produtores.

- IMPOSSIBILIDADE DE VENDER DIRETAMENTE ÀS INDUSTRIAS: é impossível que cada produtor implante sua própria unidade de beneficiamento. Isto força o aparecimento da figura do atacadista, que compra a resina dos produtores em tambores, faz o pré-beneficiamento e entrega a gomo-resina às industrias com uso de caminhões-tanque.

- PARCERIAS e INFIDELIDADE: as industrias e atacadistas costumam fornecer insumos (sacos plasticos, pasta ácida, etc.) aos produtores em troca de resina. Estas parcerias ajudam os dois lados mas não significam um vínculo indissolúvel. Nada impede o produtor de receber insumos, entregar somente a resina suficiente para pagar os insumos e vender o restante para quem pague mais.

Muitas vezes acontece que essa venda a um terceiro por preço maior resulte em prejuízo, em função de pesagens incorretas e atrasos no pagamento. É importante a formação de parcerias sólidas. Isto implica que nas épocas de preço alto os produtores garantam o fornecimento sem a pratica de leilões e nas épocas de preço baixo as industrias garantam a compra da resina sem praticar abusos contra os produtores. Parece simples, mas na hora de fechar negócio 90% das pessoas não abrem mão de levar alguma vantagem momentânea