Em várias regiões do Brasil tem sido observada a capacidade surpreendente de reprodução natural de varias espécies de Pinus. Isto é verificado nas margens de estradas, em escarpas inacessíveis e mesmo no meio de pastagens.

Esta capacidade parece que foi potencializada no Litoral Gaúcho.

Trata-se de região com características muito interessantes, sem similar no Brasil.

- É uma faixa de terra com solo predominantemente arenoso, contendo muitos banhados e lagoas. Mede 250 km de comprimento, com largura média de 15 km, variando de 6 a 40 km.

- De um lado é delimitada pelo Oceano Atlântico e do outro pela Lagoa dos Patos. As cidades principais são Tavares, Mostardas e São José do Norte, com uma população total de aproximadamente 50.000 pessoas.

- A economia é essencialmente agrícola, com predominância do cultivo de arroz. Durante o verão recebe alto fluxo de turistas, com diferentes tipos de impactos na sociedade local.

- É um ecossistema único e muito rico, considerado de extrema importância para as Instituições ligadas à questão ambiental. Envolve praias de aguas salgadas, lagoas de aguas doce ou salobras, berçários de várias espécies de aves e peixes, rotas de aves migratórias, dunas fixas e móveis com mais de 10 metros de altura e extenso patrimônio histórico-cultural. Além disso, contem o Parque Nacional da Lagoa do Peixe, que tem prioridade absoluta na preservação do Meio-Ambiente.

Neste contexto, o que está em questão é um fato novo na economia e ecologia nacional.

De maneira nunca antes verificada, o Pinus elliottii adaptou-se tão bem à região que está se expandindo naturalmente, como se nativo fosse. Além disso, a gomo-resina produzida pelo Pinus nativo caminha para transformar-se na maior fonte de renda para a região.

Sem que nada seja feito, os Pinus começam a aparecer bem esparsos nos campos e pastos. Aos poucos vão se multiplicando e adensando, sendo que ao final de sete anos a floresta está formada como se fosse implantada artificialmente.  A diferença é que as florestas artificiais contem cerca de 1.300 pés/ha enquanto que o Pinus nativo aparenta ter cerca de 10.000 pés/ha. Segundo os produtores locais, a produção de resina nas florestas nativas é maior do que nas florestas plantadas.

Isto envolve discussões acaloradas entre o Agronegócio e o Meio-Ambiente.  De um lado, e com toda a razão, os ambientalistas lutam pela preservação das espécies nativas locais. De outro lado, também com toda a razão, as pessoas não querem abrir mão dos rendimentos financeiros que a atividade resineira proporciona a toda a comunidade.

Enquanto não se chega a uma conclusão, o Pinus elliottii continua se expandindo naturalmente, e a passos largos. Esta situação já extrapolou os limites locais e muita gente está procurando a região para se inserir de alguma maneira na exploração florestal.

A solução passa por muita negociação, educação ambiental e empresarial, para que todos saiam ganhando.